Meu pastor tem sentimentos por mim

Deus tem sentimentos! ... Mateus 26:39. 39 E, indo um pouco mais para diante, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se é possível, passe de mim este cálice; todavia, não seja como eu ... Devemos ter em mente que não podemos brincar com os sentimentos de Deus, pois o amor Dele por nós é incomparável! Tenha também um ... Obrigado por ser minha vida. Obrigado, meu Deus, por mais um ano de vida. Você tem a força, tem sido a esperança, tem sido o caminho que encontrei para viver de forma verdadeira e justa. Não foi um ano fácil, mas foi um ano real. Um ano onde lutei por conseguir meu espaço em mim. E isso não tem preço. Só Deus sabe a importância e o impacto que você tem na minha vida, meu querido pastor. Sua palavras me servem de guia para todos os momentos e, por isso, agradeço imensamente. Você sempre faz de tudo para que todas as pessoas sigam um caminho de luz e amor, sempre guiadas pela palavra do Senhor e pelos Seus ensinamentos. Eu só tenho a agradecer por tudo que você faz por mim e por todos ... Carlos Meneleu - Meu Pastor (Letra e música para ouvir) - Amigo, companheiro / Em todos os momentos / Entende sentimentos / Na alegria e na dor / Conselhos que transformam / Nossas decisões / Esse é o meu pastor / você tem a minha gratidão, meu querido pastor. Você salvou a minha vida, com a sua mensagem, com a sua fé e com o seu jeito de me mostrar o poder divino. Só posso agradecer por tê-lo na minha vida e por você ter acreditado em mim e nunca ter desistido de me ajudar. Agradeço por tudo, meu bom pastor! Meu pastor partiu e agora sinto que é o meu dever continuar espalhando a sua mensagem. Ele tinha muito o que oferecer ao mundo. Suas palavras me salvaram diversas vezes. Ele me mostrou o caminho do bem, o caminho da fé e eu agradeço por tudo. Não sei onde eu estaria sem ele. Que ele possa descansar em paz agora. Adeus, pastor querido.

Minha avó está com câncer de pâncreas

2020.10.07 11:31 pqamarks Minha avó está com câncer de pâncreas

Escrevi isso de madrugada porque nem consegui dormir de tanta preocupação e tristeza. Chorei pelo menos umas 9 vezes ontem. É um relato grande, peço desculpas por possíveis erros gramaticais e não sei se alguém vai ler.

Enfim, ela tem 74 anos e várias comorbidades: diabetes tipo 2, pressão alta, hipotireoidismo e espondilolistese. De um ano pra cá, veio relatando cansaço diariamente - Eu a vejo todos os dias, já que moramos em um sobrado: eu na casa de baixo, com meus pais, e ela na casa de cima. Mesmo com a queixa de cansaço, eu nem parava para pensar na possibilidade de câncer. Ela mesma dizia que se sentia bem, apesar do cansaço, então supunha que deveria ser por causa da diabetes.

Todos os dias ia para a casa dela para tomar um cafezinho (o melhor café que já tomei, aliás), rir, dar carinho nos 6 gatos dela e ouvir ela me contando histórias enquanto me mostrava as plantas dela. Sempre conversávamos sobre as novidades, eu contava para ela como está a faculdade e tudo mais.
Minha avó é uma batalhadora. A história dela é maravilhosa: filha de imigrantes espanhóis e italianos de origem pobre, enfrentou a falta de recursos desde muito cedo. Começou a trabalhar aos 12 anos de idade (ela conta que pegava o trem às 5 da manhã para ir trabalhar todos os dias) e parou os estudos depois do ensino fundamental, mas retomou aos 20 e poucos anos e concluiu o ensino médio, então se tornou auxiliar de enfermagem. Com o dinheiro conquistado junto com os pais e o marido - o amor da vida dela (que trabalhou para a aeronáutica e já foi carteiro também) - ela conseguiu construir esse sobrado em um terreno grande. Foi um imenso sacrifício, ela passou necessidades, inclusive conta que já chegou a passar fome, mas conseguiu fazer uma casa enorme e muito bonita. Teve só uma filha e deu tudo do bom e do melhor para ela. Sempre foi elogiada em seu trabalho no hospital e, mesmo após mais de 20 anos de aposentada, alguns antigos pacientes chegaram a vir na casa dela para agradecê-la por ter "salvado a vida" deles.

Em 1990, minha bisavó partiu. Câncer de mama. No mesmo ano, meu irmão mais velho nasceu.
Em 1995, eu e meu irmão gêmeo nascemos.
Em 1998, meu avô partiu. Câncer colorretal. Ela entrou em depressão profunda e se agarrou ao catolicismo com todas as forças que ainda tinha. Ia para a missa todo fim de semana, assistia a programas religiosos e rezava todos os dias. Me ensinou a rezar, me levava à missa e me levava à catequese e à escola, e também pagava meus estudos. Sempre foi minha super heroína, meu modelo a ser seguido; minha mãe teve muitos problemas de saúde durante a minha vida (teve um tumor cerebral, problemas de ansiedade, depressão e bipolaridade, além de ter feito outras cirurgias, então infelizmente ela não conseguia cuidar tanto de mim), logo, minha avó sempre foi minha segunda mãe: durante a infância, me acordava todos os dias com bolachas, leite com chocolate e me dava um beijo, dizia "bença" e me incentivava a estudar.
Então eu fui crescendo, ela foi envelhecendo, e mesmo cada vez mais fraquinha, acumulando comorbidades, nunca parou.

Lá para 2004, tivemos uma crise financeira absurda. Meu pai ficou desempregado e começou a fazer faculdade mesmo com seus trinta e poucos anos, minha mãe estava com um tumor e não podia trabalhar e eu e meus irmãos éramos crianças. Minha avó começou a carregar a família nas costas, pagava todas as contas e fazia de tudo para eu e meus irmãos ficarmos bem. Depois de alguns anos de muita pobreza, meu pai terminou os estudos, começou a trabalhar, meu irmão mais velho conseguiu um emprego e as coisas foram melhorando aos poucos, mas ela sempre foi a chefe das finanças e quem mais contribuía, além de lavar roupas, cuidar dos gatos, limpar a casa e fazer a comida para todos nós.

Minha avó sempre foi extremamente persistente, independente, forte e amável. Eu terminei a escola e resolvi que iria prestar medicina. Sempre foi meu sonho, me impressionava com todas as histórias que ela me contava sobre a rotina no hospital e queria poder proporcionar às outras pessoas a mesma sensação que tive quando tivemos cirurgias bem sucedidas na minha família. Minha avó inclusive fez uma cirurgia na coluna em 2009 e melhorou muito da espondilolistese. Concluí que queria realmente fazer medicina e que gostaria de ajudar as pessoas, assim como meu exemplo de vida (minha avó) fez durante a vida dela.

Entretanto, quando falei para a minha família que iria prestar medicina, meu pai me disse que não tinha condição nenhuma de me ajudar com os estudos, então "seria melhor fazer biomedicina e pronto". Eu disse que não tinha problema, que eu trabalharia e estudaria pagando um cursinho. Ele me xingou de várias coisas, já que o clima da discussão tinha esquentado (ele sempre teve vontade de fazer medicina também, mas não conseguiu, então acho que ficou bravo comigo por isso, não sei), e depois apostou comigo que eu nunca conseguiria passar. Ele realmente não me ajudou, minha avó não tinha dinheiro para me bancar mais uma vez, e nem a minha mãe. Então fui trabalhar como repositor de supermercado aos 18 anos. Logo depois de ter sido contratado e resolvido pagar meu cursinho pré vestibular, minha avó disse que iria sujar o próprio nome fazendo um empréstimo absurdo, não pagando as parcelas, e então pagando meu cursinho. Então ela disse que eu não deveria mais trabalhar, já que o vestibular é muito concorrido e eu precisava passar numa universidade em que eu não precisasse pagar, considerando a nossa realidade financeira. De início, recusei e achei um absurdo o que ela fez. Mas ela me pediu por favor para nunca desistir e disse que, mesmo que eu não conseguisse, não teria problema. O importante era apenas que eu tentasse.

Dessa forma, larguei o emprego e resolvi honrar cada centavo gasto por ela. Precisava passar no vestibular. Eram muitas coisas em jogo: a aposta do meu pai, o sacrifício dela e a realização do meu sonho. Passei no vestibular depois de muito esforço e sentimento de frustração por ter fracassado por dois anos. Ela nunca desistiu de mim. Sempre insistiu e me pedia para não ir trabalhar, focar nos estudos e não desanimar. Eu passei, comemorei muito e agradeci demais a ela. E ainda por cima ganhei uma bolsa 100%. Mesmo com todas as dificuldades financeiras, deu tudo certo no final. E depois ela acabou quitando a dívida com o banco.

Então minha próxima meta era me formar e ela me ver médico, autossuficiente, ajudando minha família e mimando ela o máximo possível para poder retribuir pelo menos 1% de tudo o que ela já me fez. Os anos de faculdade até então foram bons e, como disse anteriormente, visitá-la era um hábito.

Até que semana passada fui vê-la e de repente ela quase desmaiou enquanto tomávamos um café. Ela estava meio amarelada. Mais tarde, a levei para o pronto socorro e o médico, sem nem dar boa noite e nem olhar na cara dela, disse que era "refluxo" e que ela melhoraria sozinha. Em seguida, mandei ele olhar nos olhos dela e debaixo da língua dela para ver como ela estava ictérica. Finalmente o médico meia boca tomou vergonha na cara e pediu vários exames, meio envergonhado. Depois dela tomar alguns remédios na veia, voltou para casa. Um dia depois, voltou para o hospital para ver os resultados dos exames. Os resultados não foram animadores e ela foi internada. Depois de uma semana de muito sofrimento, furadas nas veias e vários exames, veio o diagnóstico: câncer de cabeça de pâncreas. Só falta fazer o estadiamento e confirmar onde tem metástases.

Hoje ela teve alta, mas não está bem. Está cansadinha, sonolenta e levanta com muita dificuldade, precisando de ajuda até para ir ao banheiro. Eu estou acabado, sem chão, destruído. Escrevi isso tudo chorando. Ela disse ao meu irmão que não tem medo de nada, que ama a família dela e que tem os melhores netos do mundo. Também disse que está feliz porque finalmente irá reencontrar meu avô e os pais dela.

Não vou conseguir devolver tudo o que ela fez de bom por mim. Eu queria mimá-la, tratá-la como uma rainha e dar uma excelente condição de vida para ela. Queria que minha avó me visse formado e gostaria que ela não sofresse, mas a vida é desse jeito: de repente nos dá uma rasteira. A minha sensação é de incompetência, já que eu deveria ter levado ela antes para o hospital, já suspeitando da possibilidade de câncer. Mas ela sempre me dizia que estava bem e que eu não deveria me preocupar.

E agora? Como eu fico sem minha base? Sem a pessoa que mais amo no mundo? A pessoa que nunca desistiu de mim e me fez ser quem eu sou? Isso tudo é triste demais. Eu tento me mostrar forte e oferecer apoio para a minha mãe e meus irmãos, mas na verdade uma parte minha está morrendo. Não dá para acreditar que isso esteja acontecendo.

De qualquer forma, nunca vou me esquecer do legado dela. Por onde ela passou, deixou vida: se encontrou numa profissão que se destina a ajudar o próximo, fez inúmeras caridades para a Pastoral da Criança, ajudou pessoas necessitadas, tratou de pacientes em hemodiálise e trouxe vida até mesmo a partir de atos mais sutis: desde os cuidados com plantas até com animais de estimação. Ela é uma pessoa que naturalmente traz vida para os ambientes por onde passa. Sempre teve algum gato, cachorro ou passarinho, lutou contra injustiças, curou, ajudou e forneceu suporte a todos. Mesmo agora, provavelmente no fim da vida, ela dá uma aula de como viver a vida. Continua sorridente, divertida, carinhosa, extremamente pé no chão, agradando os gatos e conversando de forma lúcida e perspicaz. É uma pessoa incrível e, independente do que possa acontecer, eu amo demais tudo o que ela representa.
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2020.10.07 07:18 pqamarks Minha avó está com câncer de pâncreas

Estou escrevendo isso de madrugada porque nem consigo dormir de tanta preocupação e tristeza. Chorei pelo menos umas 9 vezes ontem. É um relato grande, peço desculpas e não sei se alguém vai ler.
Enfim, ela tem 74 anos e várias comorbidades: diabetes tipo 2, pressão alta, hipotireoidismo e espondilolistese. De um ano pra cá, veio relatando cansaço diariamente - Eu a vejo todos os dias, já que moramos em um sobrado: eu na casa de baixo, com meus pais, e ela na casa de cima. Mesmo com a queixa de cansaço, eu nem parava para pensar na possibilidade de câncer. Ela mesma dizia que se sentia bem, apesar do cansaço, então supunha que deveria ser por causa da diabetes.
Todos os dias ia para a casa dela para tomar um cafezinho (o melhor café que já tomei, aliás), rir, dar carinho nos 6 gatos dela e ouvir ela me contando histórias enquanto me mostrava as plantinhas dela. Sempre conversávamos sobre as novidades, eu contava para ela como está a faculdade e tudo mais.
Minha avó é uma batalhadora. A história dela é maravilhosa: filha de imigrantes espanhóis e italianos de origem pobre, enfrentou a falta de recursos desde muito cedo. Começou a trabalhar aos 12 anos de idade (ela conta que pegava o trem às 5 da manhã para ir trabalhar todos os dias) e parou os estudos depois do ensino fundamental, mas retomou aos 20 e poucos anos e concluiu o ensino médio, então se tornou auxiliar de enfermagem. Com o dinheiro conquistado junto com os pais e o marido - o amor da vida dela (que trabalhou para a aeronáutica e já foi carteiro também) - ela conseguiu construir esse sobrado em um terreno grande. Foi um imenso sacrifício, ela passou necessidades, inclusive conta que já chegou a passar fome, mas conseguiu fazer uma casa enorme e muito bonita. Teve só uma filha e deu tudo do bom e do melhor para ela. Sempre foi elogiada em seu trabalho no hospital e, mesmo após mais de 20 anos de aposentada, alguns antigos pacientes chegaram a vir aqui em casa para agradecê-la por ter "salvado a vida" deles.
Em 1990, minha bisavó partiu. Câncer de mama. No mesmo ano, meu irmão mais velho nasceu. Em 1995, eu e meu irmão gêmeo nascemos. Em 1998, meu avô partiu. Câncer colorretal. Ela entrou em depressão profunda e se agarrou ao catolicismo com todas as forças que ainda tinha. Ia para a missa todo fim de semana, assistia a programas religiosos e rezava todos os dias. Me ensinou a rezar, me levava à missa e me levava à catequese e à escola, e também pagava meus estudos. Sempre foi minha super heroína, meu modelo a ser seguido; minha mãe teve muitos problemas de saúde durante a minha vida (teve um tumor cerebral, problemas de ansiedade, depressão e bipolaridade, além de ter feito outras cirurgias, então infelizmente ela não conseguia cuidar tanto de mim), logo, minha avó sempre foi minha segunda mãe: durante a infância, me acordava todos os dias com bolachas, leite com chocolate e me dava um beijo, dizia "bença" e me incentivava a estudar. Então eu fui crescendo, ela foi envelhecendo, e mesmo cada vez mais fraquinha, acumulando comorbidades, nunca parou.
Lá para 2004, tivemos uma crise financeira absurda. Meu pai ficou desempregado e começou a fazer faculdade mesmo com seus trinta e poucos anos, minha mãe estava com um tumor e não podia trabalhar e eu e meus irmãos éramos crianças. Minha avó começou a carregar a família nas costas, pagava todas as contas e fazia de tudo para eu e meus irmãos ficarmos bem. Depois de alguns anos de muita pobreza, meu pai terminou os estudos, começou a trabalhar, meu irmão mais velho conseguiu um emprego e as coisas foram melhorando aos poucos, mas ela sempre foi a chefe das finanças e quem mais contribuía, além de lavar roupas, cuidar dos gatos, limpar a casa e fazer a comida para todos nós.
Minha avó sempre foi extremamente persistente, forte e amável. Eu terminei a escola e resolvi que iria prestar medicina. Sempre foi meu sonho, me impressionava com todas as histórias que ela me contava sobre a rotina no hospital e queria poder proporcionar às outras pessoas a mesma sensação que tive quando tivemos cirurgias bem sucedidas na minha família. Minha avó inclusive fez uma cirurgia na coluna em 2009 e melhorou muito da espondilolistese. Concluí que queria realmente fazer medicina e que gostaria de ajudar as pessoas, assim como meu exemplo de vida (minha avó) fez durante a vida dela.
Entretanto, quando falei para a minha família que iria prestar medicina, meu pai me disse que não tinha condição nenhuma de me ajudar com os estudos, então "seria melhor fazer biomedicina e pronto". Eu disse que não tinha problema, que eu trabalharia e estudaria pagando um cursinho. Ele me xingou de várias coisas, já que o clima da discussão tinha esquentado (ele sempre teve vontade de fazer medicina também, mas não conseguiu, então acho que ficou bravo comigo por isso, não sei), e depois apostou comigo que eu nunca conseguiria passar. Ele realmente não me ajudou, minha avó não tinha dinheiro para me bancar mais uma vez, e nem a minha mãe. Então fui trabalhar como repositor de supermercado aos 18 anos. Logo depois de ter sido contratado e resolvido pagar meu cursinho pré vestibular, minha avó disse que iria sujar o próprio nome fazendo um empréstimo absurdo, não pagando as parcelas, e então pagando meu cursinho. Então ela disse que eu não deveria mais trabalhar, já que o vestibular é muito concorrido e eu precisava passar numa universidade em que eu não precisasse pagar, considerando a nossa realidade financeira. De início, recusei e achei um absurdo o que ela fez. Mas ela me pediu por favor para nunca desistir e disse que, mesmo que eu não conseguisse, não teria problema. O importante era apenas que eu tentasse.
Dessa forma, larguei o emprego e resolvi honrar cada centavo gasto por ela. Precisava passar no vestibular. Eram muitas coisas em jogo: a aposta do meu pai, o sacrifício dela e a realização do meu sonho. Passei no vestibular depois de muito esforço e sentimento de frustração por ter fracassado por dois anos. Ela nunca desistiu de mim. Sempre insistiu e me pedia para não ir trabalhar, focar nos estudos e não desanimar. Eu passei, comemorei muito e agradeci demais a ela. E ainda por cima ganhei uma bolsa 100%. Mesmo com todas as dificuldades financeiras, deu tudo certo no final. E depois ela acabou quitando a dívida com o banco.
Então minha próxima meta era me formar e ela me ver médico, autossuficiente, ajudando minha família e mimando ela o máximo possível para poder retribuir pelo menos 1% de tudo o que ela já me fez. Os anos de faculdade até então foram bons e, como disse anteriormente, visitá-la era um hábito.
Até que semana passada fui vê-la e de repente ela quase desmaiou enquanto tomávamos um café. Ela estava meio amarelada. Mais tarde, a levei para o pronto socorro e o médico, sem nem dar boa noite e nem olhar na cara dela, disse que era "refluxo" e que ela melhoraria sozinha. Em seguida, mandei ele olhar nos olhos dela e debaixo da língua dela para ver como ela estava ictérica. Finalmente o médico meia boca tomou vergonha na cara e pediu vários exames, meio envergonhado. Depois dela tomar alguns remédios na veia, voltou para casa. Um dia depois, voltou para o hospital para ver os resultados dos exames. Os resultados não foram animadores e ela foi internada. Depois de uma semana de muito sofrimento, furadas nas veias e vários exames, veio o diagnóstico: câncer de cabeça de pâncreas. Só falta fazer o estadiamento e confirmar onde tem metástases.
Hoje ela teve alta, mas não está bem. Está cansadinha, sonolenta e levanta com muita dificuldade, precisando de ajuda até para ir ao banheiro. Eu estou acabado, sem chão, destruído. Escrevi isso tudo chorando. Ela disse ao meu irmão que não tem medo de nada, que ama a família dela e que tem os melhores netos do mundo. Também disse que está feliz porque finalmente irá reencontrar meu avô e os pais dela.
Não vou conseguir devolver tudo o que ela fez de bom por mim. Eu queria mimá-la, tratá-la como uma rainha e dar uma excelente condição de vida para ela. Queria que minha avó me visse formado e gostaria que ela não sofresse, mas a vida é desse jeito: de repente nos dá uma rasteira. A minha sensação é de incompetência, já que eu deveria ter levado ela antes para o hospital, já suspeitando da possibilidade de câncer. Mas ela sempre me dizia que estava bem e que eu não deveria me preocupar.
E agora? Como eu fico sem minha base? Sem a pessoa que mais amo no mundo? A pessoa que nunca desistiu de mim e me fez ser quem eu sou? Isso tudo é triste demais. Eu tento me mostrar forte e oferecer apoio para a minha mãe e meus irmãos, mas na verdade uma parte minha está morrendo. Não dá para acreditar que isso esteja acontecendo.
De qualquer forma, nunca vou me esquecer do legado dela. Por onde ela passou, deixou vida: se encontrou numa profissão que se destina a ajudar o próximo, fez inúmeras caridades para a Pastoral da Criança, ajudou pessoas necessitadas, tratou de pacientes em hemodiálise e trouxe vida até mesmo a partir de atos mais sutis: desde os cuidados com plantas até com animais de estimação. Ela é uma pessoa que naturalmente traz vida para os ambientes por onde passa. Sempre teve algum gato, cachorro ou passarinho, lutou contra injustiças, curou, ajudou e forneceu suporte a todos. É uma pessoa incrível e, independente do que possa acontecer, eu amo demais tudo o que ela representa.
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2020.04.06 05:50 certopreto O coração ou a razão?

Eu namorei durante 4 anos e há 3 anos terminei meu namoro, hoje minha ex namorada já namora e aparentemente é feliz com o atual dela, foi um fim de relacionamento amigável para ambas as partes e não existe mais sentimento. Na época que começamos a namorar ela tinha uma melhor amiga, mas elas acabaram se afastando pois minha ex era muito ciumenta e por respeito e para evitar conflito a melhor amiga dela acabou se afastando dela. Na época também todos nós éramos da Igreja, atualmente elas duas ainda são da cristã mas de Igrejas diferentes e não tem mais contato e eu saí da Igreja um ano depois do término do meu namoro e hoje não consigo mais me ver voltando a ser cristão novamente...
Depois que terminei meu namoro eu tive alguns casos mas não cheguei a namorar ninguém, apesar de também não ter contato com a ex melhor amiga da minha ex namorada, eu sempre tive uma impressão muito clara que ela gosta de mim anonimamente, mas ela sempre foi extremamente respeitosa e nunca deu em cima de mim, mesmo depois do término do meu namoro, mas eu nunca cheguei de fato a falar com ela sobre isso. Atualmente eu acabei de me formar e já consegui ingressar no Mestrado e terei que ir embora da minha cidade, assim que a epidemia passar, mas diante da situação de separação e vida nova eu acabei percebendo que eu também acho que gosto dela, se é que ela realmente gosta de mim...
Não há nada que nos impeça de namorar, ambos somos solteiros, mas ela é filha de Pastores e tem cargo dentro da Igreja e tudo mais, sendo assim caso eu queira realmente tentar esse novo amor, eu teria que me submeter a voltar ao Cristianismo novamente, o que para mim é um problema muito grande porque vai de encontro totalmente ao que eu penso hoje sobre a religião, além de quê eu estaria me arriscando em um namora à distância, caso ela tivesse interesse em mim e eu voltasse ao Cristianismo...
Há muito tempo eu não sei o que é gostar de alguém e esse sentimento é bom, acho que nos torna mais humano, mas estou diante de um grande dilema em seguir o coração ou a razão.
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2019.08.28 23:27 Batistandre Os Cortes

Eu sinto que hoje ela vai me levar.
Eu não sei explicar como eu sinto. Eu nunca soube, em todos os meus 26 anos de vida. No entanto, de alguma forma, eu consigo senti-la se aproximando, consigo saber que, naquela noite, eu serei visitado por ela. Esse tal sentimento é difícil de explicar. O tempo parece correr mais devagar, o mundo parece mais cinza. É um sentimento que faz com que eu me sinta pesado. Não é um peso físico, é algo dentro de mim, que parece pôr arames em volta da minha caixa de sentimentos. Sentimentos esses que se rasgam todas vez que tentam sair da caixa. Sorrir dói, chorar dói. Tudo dói. Eu me torno apagado, me movo automaticamente. Com o passar dos anos, de certa forma, o sentimento em si se tornou pior do que a visita dela. Eu imploro para que a noite chegue logo, para que ela possa vir, fazer o que precisa ser feito, e eu me sinta normal no dia seguinte. É o que sinto toda vez que esse sentimento vem. Qualquer coisa é melhor do que isso, até mesmo ela. Ao menos é o que eu penso até vê-la, até senti-la, quando então sou lembrado de que nela está o verdadeiro terror. É verdade que o cérebro nos faz esquecer as maiores dores e medos pelos quais passamos, do contrário enlouqueceríamos.
Talvez eu devesse começar pelo começo, certo? Eu recebo sua visita desde que me entendo por gente. Ela sempre foi uma constante na minha vida. Assim como meu pai sempre simplesmente esteve lá, ela também estava. Eu imagino que o sentimento que sinto antes de ela vir também estava, porque meu pai conta histórias de quando eu era bebê e haviam esses dias em que eu não parava de chorar. Segundo ele tudo começou em um dia que ele jamais vai esquecer, um dia que ele frequentemente categoriza como o pior e melhor da vida dele. O dia do meu aniversário, que também é o dia do aniversário de morte da minha mãe.
Sim, minha mãe morreu durante o parto. A gravidez dela foi complicada. Era uma gravidez de risco, pois ela tinha tinha 42 anos quando engravidou. Eu nasci prematuro, devido à certas complicações. Meu pai conta que a notícia da morte da minha mãe, vinda do médico obstetra responsável pelo parto, fez com que seu mundo inteiro desabasse. Ele diz que naquele momento ele teve a certeza de que nunca mais ia ser feliz de novo, de que nunca mais ia ser capaz de sorrir. Mas ele sorriu, e se sentiu o homem mais feliz do mundo, quando me viu deitado na incubadora quinze minutos depois. “Meu filho”, ele diz que pensou, e diz também que sabia que eu ia viver, e que a minha mãe ia viver através de mim.
Portanto, um ano depois, quando eu acordei chorando e continuei chorando ao longo do dia, ele diz que foi impossível não associar uma coisa à outra. Ele me levou ao médico, que disse que, a princípio, não havia nada de errado comigo. Eventualmente eu parei de chorar e dormi, talvez devido ao cansaço. Naquela noite foi quando aconteceu pela primeira vez. Meu pai diz que acordou com um grito horrível vindo do meu quarto. Inicialmente ele achou impossível que fosse eu, mas conforme ele levantou da cama e correu até o quarto, ouviu o grito lentamente se tornar um choro de bebê, a essa altura já bem familiar aos seus ouvidos. Ele entrou no quarto, me pegou no colo enquanto eu chorava descontroladamente, e sentiu a minha perna úmida. Foi quando ele viu o primeiro corte.
Deixe eu lhe falar sobre os Cortes.
Você já teve um daqueles cortes bobos, que não passam de uma fina linha vermelha na pele, mas que sangram e doem de um jeito desproporcional ao seu tamanho? Os meus Cortes são assim. Eles não são profundos, raramente passam de 3 cm de comprimento, ainda assim incomodam muito. Eles doem, claro, mas o que mais incomoda não é a dor, e sim o fato de que eles nunca cicatrizam. Eu ainda tenho o corte que meu pai viu na minha perna aquela noite. Ele está ali, na minha coxa, aberto como se tivesse recém sido feito. Ele, e todos os 98 que vieram depois dele, nunca se fecharam, nunca cicatrizaram.
Grande parte da minha vida eu passei procurando respostas, procurando maneiras de pôr fim no meu tormento, sem nunca obter sucesso. Eu e meu pai já tentamos de tudo, tanto para lidar com os Cortes quanto para lidar com ela. Procuramos respostas na ciência e na medicina, ao menos nos primeiros anos, antes mesmo de eu ter consciência da minha situação. Meu pai já me levou a incontáveis médicos, alguns diziam que eu tinha uma nova forma de diabetes, outros que eu tinha uma variação de hemofilia. Todos intrigados pela minha condição e todos incapazes de proporcionar uma solução.
Após anos de hospitais, médicos, procedimentos e exames, eu decidi que estava cansado daquilo tudo, e meu pai partilhava do meu cansaço. Nos voltamos então para a medicina alternativa, com homeopatia, medicina tradicional chinesa e hindu, hipnoterapia, terapia com quelação, enfim. Seja lá qual for o método que você está pensando, eu já tentei. Da medicina alternativa buscamos uma saída completamente espiritual. Conversamos com padres, gurus, pastores, médiuns, bruxos, babalorixás, até mesmo com um exorcista, um de verdade, sancionado pela igreja. Todos, naturalmente, acharam que tinha a resposta.
Gastamos muito dinheiro e tempo buscando uma solução e, de alguns anos para cá, ficou bem evidente que desistimos. Eu e meu pai nunca conversamos sobre essa desistência. Um dia voltamos de mais uma das diversas viagens que fizemos e, simplesmente, desistimos. No momento que sentamos para jantar aquela noite e meu pai me perguntou: “Você tem alguma ideia de faculdade ou quer fazer outra coisa?”, eu soube que havíamos desistido. Claro que ainda ficamos de olho em alguma eventual solução, mas poucas coisas tem potencial o suficiente para nos trazer uma nova esperança.
A minha infância foi complicada. Não por causa dos Cortes, e sim por causa das pessoas. Meu pai já foi acusado inúmeras vezes de abuso ou negligência, eu já fui tachado de suicida, maluco, esquisito. Tanto eu quanto meu pai aprendemos a lidar com as consequências da minha condição, os primeiros anos foram os mais complicados, depois eu entendi que precisava esconder os Cortes, ao menos da maioria das pessoas. Quando eu tinha 12 anos nós nos mudamos para uma outra cidade, e essa foi a melhor época da minha vida. Eu fiz vários amigos, me atrevo a dizer até mesmo fui semi popular, fui em festas, namorei várias garotas, vivi uma vida “normal” de adolescente. Poucas pessoas sabiam da minha condição, e as que sabiam normalmente ficavam com medo ou intrigadas.
Como falei antes, hoje tenho 99 desses cortes espalhados por diversas partes do meu corpo. Minha vida é difícil, sim. Eu sigo uma rotina que gira ao redor de band-aids, esparadrapos, gazes e ataduras. Não na esperança de curá-los, obviamente, nem mesmo tratá-los, já que eles nunca infeccionam, e sim de evitar que as coisas encostem neles, já que eles ardem bastante e sangram às vezes.
O fato é que todos esses cortes foram feitos por ela. Todos no meio da madrugada.
Eu não sei o que ela é, nunca conseguimos descobrir. E, antes que você diga, não, não é o fantasma da minha mãe. Chegamos a cogitar essa possibilidade, mas meu pai diz que a minha mãe era a alma mais bondosa que já pisou na terra e, mesmo morta, ela jamais seria capaz de algo do tipo. Ele não precisava dizer isso, porque eu tinha certeza de que não podia ser a minha mãe. Nunca senti o amor de uma mãe, dizem que a gente não faz nem ideia do que é amor de verdade até segurar um filho nos braços, e amor é, definitivamente, algo que eu não sinto vindo dela. O ódio que emana dela é tão poderoso, tão pungente e sufocante, que eu não acho possível que ela jamais tenha amado algo. É um ódio que jamais seria condizente com alguém que foi mãe, não condiz nem mesmo com alguém que foi humano um dia. Por isso não acho que ela seja um fantasma, ou espírito, assombração, aparição, qualquer coisa que você queira chamar. Acho que ela é algo além da nossa compreensão. Uma energia que toma forma, um monstro de outra dimensão, é inútil tentar entender, eu sei que já desisti faz muito tempo.
O sentimento que descrevi antes é sempre um prelúdio do que a noite vai me trazer. Eu sei que vou acordar no meio da noite, me sentindo sufocado e apavorado. Sei que vou ver algo surgir lentamente da escuridão do canto do quarto e que vou prometer para mim mesmo que dessa vez eu vou enfrentá-la, que dessa vez ao menos não vou gritar e chorar. A promessa é quebrada no segundo seguinte, no primeiro vislumbre que tenho dela. Tudo ao redor dela é escuridão e terror. Ela é alta, muito alta, infinitamente alta, parece querer tomar todo o quarto. A sua magreza absurda passa despercebida devido ao tamanho dos seus ossos. Seu rosto envolto em sombras e longos cabelos negros e finos que lhe caem da cabeça quase careca escondem um olhar de esgar e ódio além da compreensão humana. Não posso ver seus olhos, não é possível ver nada ao encarar o vórtice de pesadelo e agonia que é o seu rosto, mas consigo senti-los esquadrinhando a minha alma.
Eu choro e grito descontroladamente, sem forças para fazer qualquer coisa além de vê-la vir em minha direção. Ela não caminha, caminhar é algo humano demais para descrever o modo com ela se move. É como se ela simplesmente crescesse em minha direção. Ela me toca e, na beira da insanidade, tudo se torna terror. O intensidade do medo se torna absoluta, como medo fosse tudo que houvesse no mundo. É puro horror e desespero. Em sua mão grotescamente grande com dedos compridos e magros de pesadelo ela segura um objeto que eu não consigo descrever, meu cérebro simplesmente não processa sua forma, não entende sua cor. Olhar para ele me causa tontura, é como olhar para o mundo girando, é como olhar para a prova de que nada no mundo é real. Com esse objeto ela arranha minha pele, e então, milímetro por milímetro, eu sinto o corte se abrir. A dor é excruciante. Não há sentido em tentar explicar com palavras. É algo que não deveria existir, uma dor que não foi feita para ser sentida nesse mundo. No meio dos meus gritos de desespero o mundo se torna real de novo, e meu pai entra correndo pela porta do meu quarto, já com lágrimas nos olhos.
Esse cena se repete, outras 98 vezes. Não há um padrão para suas visitas, tudo que sei é que hoje será a última.
Eu não sei como eu sei. O sentimento, que já descrevi, hoje vem acompanhado de um certa finalidade. É como o entardecer, como as últimas notas audíveis de uma música que termina em um fade out, como ver o último episódio de uma série que você acompanha há muito tempo, como levantar a lata para tomar tomar um gole de refrigerante, sentir sua leveza, e saber que aquele gole será o último.
Assim que eu terminar de escrever isso vou dar boa noite para o meu pai, dar nele um último abraço, e ir me deitar. Pai, eu sei que você está lendo isso, então quero agradecer por tudo. Eu espero que minha partida traga à você algum conforto e que você possa finalmente seguir em frente. Deixo para você decidir se essa despedida deve ser compartilhada ou não.
Hoje, sabendo que vai ser a última vez, eu quase espero ansiosamente pela visita dela. Quase espero ansiosamente ver sua figura monstruosa e irreal surgir da escuridão do quarto e transformar meu mundo em pesadelo pela última vez.
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2017.01.31 01:21 pedrothegrey A cigana, os livros e Deus.

Eu estudava numa Universidade que se situava em uma rua estreita, cabia um carro nela, e ao lado dela habitavam toda sorte de bares e botecos. A maior parte das minhas abstrações e teses filosóficas foram propostas - para mim - por mim, ali. É fato que as pessoas que não tem muita experiência neste tipo de meditação nos acham depravados e vagabundos por vivermos pensando nestes ambientes ébrios, mas a verdade é que para suportar a tensão de atingir uma opinião intelectiva desagradável a nós mesmos, somente uma boa dose de álcool, para confundir os sentidos de forma segura e para que possamos viver para pensar outro dia.
As classes haviam terminado um pouco mais cedo certo dia, e resolvi aproveitar para ir ver um filme, em um pequeno cinema que havia em umas quadras ao lado da que eu estava. Entrei, vi e saí como entrei. Jamais vira algo tão passageiro e esquecível, como Martin Scorcese diz: Existem filmes que vivem no espectador anos depois de assistí-los e existem aqueles que são somente analgésicos de 2 horas. Como eu não estava saciado, e como sentia que estivera ali por somente 5 minutos, resolvi (mesmo sem dinheiro) passar na livraria ao lado. No percurso, vi uma cigana lendo a mão de uma mulher, cujo rosto demonstrava uma credulidade invejável, mas percorri a cena sem demora, visto que ainda a ideia não havia chegado até mim.
A livraria tinha umas 6 estantes, mais 3 que ficavam nas paredes, e nestas haviam um número razoável de livros. Movido pela curiosidade, saio da sessão de filosofia e clássicos em versão de bolso, e caminho para as estantes da direita, que tem a etiqueta "RELIGIÃO". Deito meus olhos e leio os títulos a fim de ver algo que talvez pudesse me interessar, e além da bíblia e de manuais de como "viver a vida de maneira cristã", só existiam ali livros que tratavam de alquimia, misticismo, tarô, espíritos e adivinhação. O conteúdo destes era uma amálgama de crendices e superstições medievais, com algum toque de auto-ajuda. Aquilo havia me perturbado de maneira incomum.
Tentei não dar muita atenção ao ocorrido, parti para casa e peguei o trem. Ele estava particularmente cheio, mas ainda havia como me manter em uma posição confortável e até ler alguma coisa. Resolvi não o fazer e ouvir o que as pessoas tinham a dizer, esse é um exercício interessante, e mostra mais sobre o que o povo local pensa do que qualquer pesquisa formal. As pessoas cochichavam sobre religião neste dia, uma vez que um famoso pastor cristão havia sido esfaqueado, e o povo estava em polvorosa (ao menos os fiéis de sua doutrina).
E a discussão segue o mesmo círculo anterior, mas minha estação chega e o discurso dos dois acaba se mesclando com minhas outras duas experiências deste mesmo dia. Aquele pastor não merecia a confiança da senhorinha, ainda que fosse honesto. É uma peculiaridade humana que pessoas mais distantes tenham maior credibilidade. A convivência permite a quebra da expectativa de integridade moral que o indivíduo havia depositado no outro, e isto é ainda mais intenso quando o outro, citado acima, é uma figura de autoridade ética, moral e religiosa. Por isso o uso da televisão como propaganda religiosa é tão inteligente, mantém o indivíduo confiante no interlocutor, enquanto este pode ser cada vez menos lógico em seu discurso.
Mas mais importante que isso (ao menos para este relato) é o fato daquela senhora acreditar que, de alguma forma, aquele homem possui uma ponte de comunicação com Deus, e que este homem pode realizar milagres. Repare que eu não critico a fé nos milagres, mas em específico, na crença de que alguém pode ser mais suscetível a fazê-los devido a sua influência celeste. A singularidade da última hipótese é que esta é uma crendice, e embora a distinção seja um pouco obscura a distinção entre fé e superstição, sei que a mente consegue discernir bem, de maneira qualitativa, as duas.
Cheguei em casa e preparei um chá. Sentei na varanda e tentei refletir sobre o dia que havia passado. Todas aquelas pessoas, as que consultaram a cigana, ou então aquelas que compraram os livros daquela sessão, e até as que defendem a integridade de homens desconhecidos somente pela sua fé, todas elas estavam entregues à fé. Costumava acreditar que enquanto a crença é uma ferramenta de ascensão espiritual, não havia nenhum mal. No entanto, esse complexo maquinário de religião (ou superstição) pode acabar - e quase sempre acaba - em atos e ideias irrefletidas. Pois imagine, se um jogador tem sua aposta baseada em uma adivinhação (suponhamos), independente do resultado, temos a convicção de que não há mal algum no ato, e de fato não houve. Mas se um piloto de avião decide sua manobra de decolagem baseado na sorte, certamente o consideraremos insano, embora a natureza da decisão das ações do piloto e do jogador sejam as mesmas. E mais, seja qual for o resultado da ação do piloto, este ainda seria considerado louco, embora isso não o fosse verdade no exemplo do jogador. Independente do resultado de uma ação, realizada com base na fé ou superstição, o ato tem de ser considerado como uma ameaça, concluí.
Resolvi escrever este relato e no decorrer do desenvolvimento da tese que propus, tive uma visão mais gentil (ou menos pragmática) dos fatos ocorridos neste dia; Cada um de nós está perdido, perdido em si. A mulher busca alguma segurança na leitura das linhas na palma de sua mão, e a cigana busca alguém que confie nela, o rapaz lê os códex de alquimia pois não há mais o que satisfaça sua insegurança metafísica, e o autor escrevera o livro em busca de respostas. Os fiéis (as ovelhas) defendem seus pastores, que todos os dias enfrentam as mesmas pelejas e tem as mesmas dúvidas do vulgo. E os homens de ciência procuram entender a lógica deste mundo pois também estão perdidos. E esta trágica epopeia humana jamais cessou, e jamais cessará. O sentimento de incerteza e de ter dúvidas que jamais serão respondidas, perdurará, até o coração do último dos homens parar de bater, e finalmente todas as perguntas serão respondidas.
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Me quer só para sexo ou tem sentimentos por mim? +55 11 97131-1925 Ele (a) tem sentimentos por mim ou está brincando com os meus sentimentos? Não tem sentimentos por mim, mas não me deixa #TAROT *ELE(A) PENSOU EM MIM HOJE? SENTIMENTOS POR MIM HOJE?* ##Sentimentos Reais Dele (a) Por Mim## Ele(a) tem sentimentos por mim ? ELE ME AMA??  QUE TIPO DE SENTIMENTOS ELE TEM POR MIM??

Mensagens para Pastor de Agradecimento - Mensagens de Conforto

  1. Me quer só para sexo ou tem sentimentos por mim? +55 11 97131-1925
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